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domingo, 15 de abril de 2012

Mitologia

Cap.7:Ragnarok, O Crepúsculo dos Deuses


     Os nórdicos acreditavam firmemente que chegariam a um tempo em que seriam destruídos, com toda a criação visível, os deuses do Valhala e de Niffleheim, os habitantes de Jotunheim, Alfheim e Midgard, juntamente com suas moradas. O pavoroso dia da destruição não viria, porém, inesperadamente. Para anunciá-lo surgiria, primeiro, um inverno tríplice, durante o qual a neve cairia dos quatro cantos do céu, o congelamento seria rigoroso, o vento cortante, o tempo tempestuoso e o sol não traria alegria. Suceder-se-iam três invernos sem serem temperados por um único verão. Três outros invernos seguir-se-iam, durante os quais a guerra e a discórdia se espalhariam pelo universo. A própria Terra ficaria amedrontada e começaria a tremer, o mar sairia de seu leito, o céu se abriria e os homens morreriam em grande número, enquanto as águias do ar se regozijariam sobre seus corpos trêmulos. O lobo Fenris arrebentará a corrente que o prende, a serpente de Midgard levantar-se-á de seu leito no mar e Loki, libertado de suas cadeias, juntar-se-á aos inimigos dos deuses. No meio da devastação geral, os filhos de Musplheim acorrerão, sob a chefia de Surtur, adiante e atrás do qual irromperão, chamas devastadoras. Os assaltantes avançariam pela ponte do arco-íris, Bifrost, que se quebraria sob os cascos dos cavalos. Sem se incomodar com a queda, porém, eles se dirigiriam ao campo de batalha chamado Vigrid, onde também apareceriam o lobo Fenris, a serpente de Midgard, Loki com todos os seguidores de Hela e os gigantes do Gelo. 
     Heindall levantar-se-ia e soaria a trombeta Giallar, para chamar à luta todos os deuses e heróis. Os deuses avançam, chefiados por Odin, que ataca o lobo Fenris, mas cai vítima do monstro, que, por sua vez, é morto pelo filho de Odin, Vidar. Thor destaca-se, matando a serpente de Midgard, mas cai morto, sufocado pelo veneno que o monstro moribundo vomita sobre ele. Loki e Heindall enfrentam-se e ambos são mortos. Tendo caído na batalha os deuses e seus inimigos, Surtur, que matou Freyr, incendeia o universo, que é inteiramente consumido pelo fogo. O sol se apaga, a terra se afunda no oceano, as estrelas caem do céu, e deixa de haver o tempo.
     Depois disso, Alfadur (o Todo-Poderoso) fará com que surjam do mar um novo céu e uma nova terra. A nova terra contará com abundantes recursos, que produzirão espontaneamente os seus frutos, sem necessidade de trabalho ou preocupação. A maldade e a miséria não serão mais conhecidas, e os deuses e os homens viverão felizes para sempre.













BULFINCH, Thomas. O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 400-401




domingo, 8 de abril de 2012

Mitologia

Cap.6: A Recuperação do Martelo



     Aconteceu certa vez que o martelo de Thor caiu em poder do gigante Thryn, que o enterrou sob as rochas de Jotunheim numa profundidade de oito braças. Tor mandou Loki negociar com Thryn, mas Loki somente conseguiu obter uma promessa do gigante de restituir a arma se Freia consentisse em casar-se com ele. Loki voltou para informar o resultado de sua missão, mas a deusa do amor ficou horrorizada à idéia de oferecer os seus encantos ao rei dos gigantes do Gelo. Nessa emergência, Loki persuadiu Thor a meter-se nas vestes de Freia e acompanhá-lo ao Jotunheim. Thryn recebeu sua noiva, que estava com o rosto coberto por um véu, com a devida cortesia, mas ficou muito surpreso, ao vê-la devorar oito salmões e um boi inteiro, além de outros petiscos, e bebendo, por cima, três toneis de hidromel. Loki, porém, afirmou-lhe que ela não comia há oito noites, tão grande era seu desejo de ver o amante, o famoso rei de Jotunheim. Afinal, Thryn teve curiosidade de olhar sob o véu de sua noiva, mas recuou, espantado, e perguntou por que os olhos de Freia brilhavam como fogo. Loki deu a mesma desculpa e o gigante se satisfez. Deu ordem para que fosse trazido o martelo, e colocou-o no regaço da donzela. Thor, então, livrando-se do disfarce, agarrou sua terrível arma e matou Thryn e todos os seus sequazes. Frei também possuía uma arma maravilhosa, uma espada que espalhava sozinha a carnificina em um campo de batalha, quando o seu dono o desejasse.
     Frei perdeu sua espada, porém, menos feliz que Thor, não a recuperou. O fato se passou da seguinte maneira: certo dia, Frei subiu ao trono de Odin, do qual se pode ver todo o universo, e, olhando em torno, avistou no reino dos gigantes uma linda donzela, e desde então foi tomado de tanta tristeza, que não pode mais dormir, beber ou falar. Afinal, Skirnir, seu mensageiro, conseguiu arrancar-lhe o segredo e dispôs-se a obter-lhe a donzela em casamento, se ele lhe desse a espada como recompensa. Frei consentiu, e deu-lhe a espada. Skirnir partiu para a sua viagem e obteve da donzela a promessa de que, dentro de nove noites, iria a um determinado lugar e ali desposaria Frei. Quando Skirnir anunciou o êxito de sua missão a Frei, este exclamou:

Uma noite é bem longa 
E duas mais longas ainda. 
Como, porém, suportarei três noites? 
O espaço de um mês 
Antes me parecia 
Mais curto que a metade desse tempo. 

Assim, Frei conseguiu Gerda, a mais bela de todas as mulheres, para esposa, mas perdeu sua espada.



BULFINCH, Thomas. 
O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 387-388



domingo, 1 de abril de 2012

Mitologia

Cap.6: Como Thor Pagou Seu Salário ao Gigante da Montanha


     Certa vez, quando os deuses estavam construindo suas moradas e já haviam acabado a construção do Midgard e do Valhala, apareceu um artífice, oferecendo-se para construir uma morada tão bem fortificada que nela os deuses ficariam perfeitamente protegidos contra os ataques dos gigantes do Gelo e dos gigantes da Montanha. Exigia, porém, como pagamento, a deusa Freia, juntamente com o Sol e a Lua. Os deuses concordaram com suas condições, contanto que ele executasse o trabalho sem ajuda de ninguém e durante um só inverno. Se alguma coisa ainda estivesse por acabar no primeiro dia de verão, ele teria de desistir do pagamento pedido. Ao ouvir essa proposta, o artífice exigiu que pudesse utilizar-se de seu cavalo Svadilfair. Isso lhe foi concedido, graças à opinião de Loki. O artífice, assim, começou a trabalhar no primeiro dia do inverno e, durante a noite, deixava seu cavalo carregando pedras para a construção. O enorme tamanho das pedras encheu de assombro os deuses, que perceberam, claramente, que o cavalo executava mais da metade do trabalho. A combinação, porém, já estava feita e confirmada por juramento solene, pois, sem essas precauções, um gigante não poderia considerar-se em segurança no meio dos deuses especialmente quando estava próximo o regresso de Thor de uma expedição que empreendera contra os demônios malignos. 
     À medida que se aproximava o fim do inverno, a construção ia progredindo, e os baluartes já eram suficientemente altos e maciços para tornar o lugar inexpugnável. Em resumo, quando faltavam apenas três dias para o verão, só faltava ser acabada a construção da porta. Os deuses, então, se reuniram para discutir, a fim de saber se seria possível livrarem-se da obrigação de entregar Freia ou de mergulhar o céu na escuridão, permitindo que o gigante levasse o Sol e a Lua. 
     Todos concordaram que somente Loki, o autor de tantas ações condenáveis, poderia ter dado tão maus conselhos e que ele deveria ser submetido a uma morte desapiedada, se não contribuísse, de algum modo, para evitar que o artífice completasse sua obra e obtivesse a recompensa estipulada. Naquela mesma noite, quando o homem saiu com Svadifair para carregar as pedras, uma égua saiu correndo, de repente, de uma floresta e começou a relinchar. O cavalo, então, arrebentou os arreios e correu para a floresta, atrás da égua, o que obrigou o homem a correr também atrás do cavalo e, assim, a noite inteira foi perdida, de modo que, ao amanhecer, o trabalho não progredira no ritmo costumeiro. Vendo que não podia completar a tarefa, o homem reassumiu sua estatura gigantesca e os deuses perceberam, então, que se tratava, na verdade, de um gigante das montanhas que viera para o meio deles. Achando que não mais estavam presos ao juramento, chamaram Thor, que, imediatamente, correu a ajudá-los e, levantando seu malho, pagou ao trabalhador seu salário, não com o Sol e a Lua e nem enviando-o de volta ao Jotunheim, pois, com a primeira pancada do martelo, despedaçou a cabeça do gigante e o atirou ao Niffleheim.

BULFINCH, Thomas. O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 385-386


domingo, 25 de março de 2012

Mitologia

Cap.5: Loki e Sua Descendência 


     Havia uma outra divindade considerada o caluniador de deuses e articulador de todas as fraudes e atos condenáveis. Chamava-se Loki. Era belo e bem feito de corpo, mas de temperamento caprichoso e maus instintos. Pertencia à raça dos gigantes, mas se metera à força na companhia dos deuses e se comprazia em colocá-los em dificuldades, e livrá-los, depois, do perigo, graças às suas artimanhas, inteligência e habilidade. Loki tinha três filhos. O primeiro era o lobo Fenris, o segundo, a serpente Nidgard e o terceiro Hela (Morte). Os deuses não ignoravam que esses monstros estavam crescendo e que acabariam fazendo muito mal aos deuses e aos homens. Assim, Odin achou conveniente mandar buscá-los. Lançou, então, a serpente no profundo oceano pelo qual a terra é cercada. O monstro, porém, crescera a tal ponto que, enfiando a cauda na boca, rodeia toda a Terra. Hela foi atirada por Odin ao Niffleheim e recebeu o poder de dominar nove mundos ou regiões, nos quais distribui aqueles que lhe são enviados, isto é, os que morrem em conseqüência da velhice ou da doença. Seu palácio chamava-se Elvidner. Sua mesa era a Fome, sua faca, a Inanição, o Atraso, seu criado, a Vagareza, sua criada, o Precipício, sua porta, a Preocupação, sua cama e os Sofrimentos formavam as paredes dos aposentos. Hela podia ser facilmente reconhecida, pois seu corpo era metade cor-de-carne e metade azul, e tinha uma fisionomia horrível e amedrontadora. 
     O lobo Fenris deu muito trabalho aos deuses, antes que estes conseguissem acorrentá-lo; rompia as correntes mais fortes como se fossem teias de aranha. Finalmente, os deuses enviaram um mensageiro aos espíritos da montanha, que fizeram para eles a corrente chamada Gleipnir, que se compunha de seis coisas, a saber: o ruído produzido pelo andar de um gato, a barba das mulheres, as raízes das pedras, a respiração dos peixes, os nervos (sensibilidade) dos ursos e o cuspo das aves. Depois de pronta, a corrente ficou tão lisa e macia como se fosse de seda. Quando, porém, os deuses pediram ao lobo que se deixasse amarrar naquela fita aparentemente tão frágil, ele desconfiou de suas intenções, receando que houvesse ali algum encantamento. Assim, só consentiu em ser amarrado se um deus enfiasse a mão em sua boca para garantia de que a fita seria retirada mais tarde. Somente Tir (o deus da batalha) teve coragem suficiente para isto. Mas, quando o lobo verificou que não podia livrar-se e que os deuses não iriam soltá-lo, cortou com os dentes a mão de Tir, que ficou maneta desde então.

BULFINCH, Thomas. O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 384-385


domingo, 18 de março de 2012

Mitologia

Cap.4: Thor e Outros Deuses


      Thor, o senhor dos trovões, filho mais velho de Odin, é o mais forte dos deuses e homens, e possui três coisas preciosíssimas. A primeira é um martelo que tanto o Gelo como os gigantes da Montanha aprenderam a respeitar, quando o viram lançado contra eles no ar, pois o martelo rompeu muitos crânios de seus pais e parentes. A segunda preciosidade que Thor possuía era chamada cinto da força que, quando usado pelo seu dono, dotava-o de um redobrado poder divino. A terceira preciosidade era o par de luvas de ferro que Thor usava para se tornar mais eficiente. Do nome de Thor vem Thursday, o quinto dia da semana.
     Frei era um dos deuses mais celebrados, responsável pela chuva, pelo brilho do sol e por todos os frutos da terra. Sua irmã Freia era a mais propícia das deusas. Amava a música, a primavera e as flores e, em particular, os Elfos (fadas). Apreciava muito as canções amorosas e todos os amantes poderiam invocá-la com proveito.
     Bragi era o deus da poesia, e seus cantos recordavam os feitos dos guerreiros. Sua esposa, Iduna, guardava a caixa de maçãs que os deuses, quando sentiam aproximar-se a velhice, provavam, para recuperar, imediatamente, a mocidade.
     Heindall era o vigia dos deuses e, portanto, colocado na fronteira do céu, para impedir os gigantes de passar pela ponte Bifrost (o arco-íris). Heindall dormia menos que um pássaro e enxergava tanto de noite quanto de dia num raio de cem milhas.Tinha tão bons ouvidos que podia ouvir o ruído da relva crescendo e da lã crescendo em um carneiro.

BULFINCH, Thomas. O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 383-384



domingo, 11 de março de 2012

Mitologia

Cap.2: As Alegrias do Valhala


     Valhala é o grande palácio de Odin, onde ele se diverte em festins com os heróis escolhidos, aqueles que morreram valentemente em combate, pois são excluídos todos os que morreram pacificamente. É-lhe servida a carne do javali Schrinnir, que chega fartamente para todos, pois, embora o javali seja cozido todas as manhãs, fica inteiro novamente todas as noites. Para bebida, os heróis dispõem de abundante hidromel, fornecido pela cabra Heidrum. Quando não se encontram nos festins, os heróis se divertem lutando. Todos os dias, dirigem-se ao pátio ou campo e lutam até se fazerem em pedaços uns aos outros. Este é seu passatempo, mas chegando a hora da refeição, eles se restabelecem dos ferimentos e voltam ao festim no Valhala.

Cap.3: As Valquírias


     As Valquírias eram virgens guerreiras, que cavalgavam corcéis, armadas de elmos e lanças. Odin, desejoso de reunir grande número de heróis no Valhala, a fim de poder enfrentar os gigantes quando chegasse o dia da luta decisiva, mandava escolher em todos os campos de batalha os que deveriam ser mortos. As Valquírias eram suas mensageiras, e seu nome significa "as que escolhem os mortos". Quando galopavam em suas cavalgadas, o brilho de seus escudos produzia nos céus nórdicos uma luz estranha, a chamada aurora boreal.

BULFINCH, Thomas. O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 383-384

 

domingo, 4 de março de 2012

Mitologia

Cap.1: Mitologia Nórdica II

A bárbara caçada de Odin, P.N. Arbo, c. 1872, óleo sobre a tela

     A fonte do lado de Jotunheim era o poço Odin de Ymir, no qual se escondiam a sabedoria e inteligência, mas a do lado de Niffleheim alimentava Nidhogge (escuridão), que corroía a raiz perpetuamente. Quatro veados corriam sobre os ramos da árvore e mordiam os brotos; representam os quatro ventos. Sob a árvore, ficava estendido o Ymir e, quando ele tentava livrar-se de seu peso, a terra tremia.
     Asgard é o nome da morada dos deuses, para onde se tem acesso somente atravessando a ponte Bifrost (arco-íris). Asgard consiste de palácios de ouro e prata, morada dos deuses, mas o mais belo deles é o Valhala, morada de Odin, que, quando sentado em seu trono, avista todo o céu e toda a Terra. Em seus ombros pousam os corvos Hugin e Munin, que voam durante todo o dia sobre o mundo e, quando voltam, contam ao deus tudo que viram e ouviram. A seus pés estão deitados dois lobos, Geri e Freki, aos quais Odin dá toda a carne que é colocada diante dele, uma vez que ele próprio não tem necessidade de se alimentar, a não ser com o hidromel, que lhe serve tanto de comida como de bebida. Odin inventou os caracteres rúnicos, com os quais as Norns gravam os destinos, numa chapa metálica. Do nome de Odin, às vezes pronunciado Woden, vêm Wednesday, nome do quarto dia da semana.
     Odin é freqüentemente chamado de Alfadur (todo pai), mas esse nome é, às vezes, usado de maneira que mostra que os escandinavos tinham a idéia de uma divindade superior a Odin, incriada e eterna.


BULFINCH, Thomas. O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 382-383



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mitologia

 Cap. 1: Mitologia Nórdica I

A bárbara caçada de Odin, P.N. Arbo, c. 1872, óleo sobre a tela
     Através de nossos antepassados ingleses: é a mitologia dos povos nórdicos, chamados escandinavos, que habitavam os países hoje conhecidos como Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia. Essas narrativas mitológicas estão contidas em duas coleções chamadas as Edas, a mais antiga das quais é em poesia e data de 1056 e a mais moderna, em prosa, de 1640.

     Segundo as Edas, não havia, no princípio, nem céu em cima nem terra embaixo, mas apenas um abismo sem fundo e um mundo de vapor no qual flutuava uma fonte. Dessa fonte saíram doze rios, e, depois de eles terem corrido até muito distante de sua origem, congelaram-se e, tendo as camadas de gelo se acumulado umas sobre as outras, o grande abismo se encheu.

     Ao sul do mundo de vapor, havia um mundo de luz, do qual uma viração quente soprou sobre o gelo, derretendo-o. Os vapores elevaram-se no ar e formaram nuvens, das quais surgiu Ymir, o gelo gigante, e sua geração, e a vaca Audumbla, cujo leite alimentou o gigante.

     Essa vaca, alimentava-se lambendo o gelo de onde retirava a água e o sal. Certo dia, quando ela estava lambendo as pedras de sal, surgiram os cabelos de um homem; no segundo dia toda a cabeça e, no terceiro, todo o corpo, que tinha grande beleza, agilidade e força. O novo ser era um deus e dele e de sua esposa, filha da raça dos gigantes, nasceram os três irmãos, Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir, formando com seu corpo a terra, com seu sangue os mares, com seus ossos as montanhas, com seus cabelos as árvores, com seu crânio o céu e com seu cérebro as nuvens carregadas de neve e granizo. Com a testa de Ymir, os deuses formaram a Midgard (terra média), destinada a tornar-se a morada do homem. Odin estabeleceu, depois, os períodos do dia e da noite, e as estações, colocando no céu o Sol e a Lua e lhes determinando os respectivos cursos. Logo que o Sol começou a lançar seus raios sobre a Terra, fez brotarem e crescerem os vegetais. Pouco depois de terem criado o mundo, os deuses passearam junto ao mar, satisfeitos com sua obra recente, mas verificaram que ela ainda estava incompleta, pois faltavam seres humanos. Tomaram, então, um freixo e dele fizeram um homem e de um amieiro fizeram uma mulher, chamando o homem de Aske e a mulher de Embla. Odin deu-lhes então, a vida e a alma. Vili, a razão e o movimento, e Ve, os sentidos, a fisionomia expressiva e o dom da palavra. A Midgard foi-lhes, então, dada para moradia e eles se tornaram os progenitores do gênero humano. Supunha-se que todo o universo era sustentado pelo gigantesco freixo Ygdrasil, que nascera do corpo de Ymir e tinha raízes imensas, uma das quais penetrava no Asgard (morada dos deuses), outra no Jotunheim (morada dos gigantes) e a terceira no Niffleheim (regiões das trevas e do frio). Ao lado de cada raiz havia uma fonte que a regava. A raiz que penetrava no Asgard era cuidadosamente tratada pelas três Norns, deusas consideradas como donas do destino. Eram Urdur (o passado), Verdande (o presente) e Skuld (o futuro).

BULFINCH, Thomas. O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA. 26º Ed. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações S.A., 2002. p. 382